A OPELF encerra oficialmente suas atividades neste final de ano de 2009, após um ano bastante singular, de iguais medidas em vitórias e dissabores, mas no qual estes últimos custaram mais e pesaram para a decisão de encerrar as atividades e congelar as atividades que envolvessem a marca.

Criada em final de 2007 por Janaina Azevedo (escritora, tradutora & produtora cultural), Fernando Torres (escritor & advogado), William Goldoni (escritor & engenheiro agrônomo), Denise MG (mantenedora do site Vampirus Brasil) e Sérgio Pereira Couto (jornalista & escritor), teve problemas logo no início: os quatro últimos membros se afastaram logo nos primeiros 6 meses de existência da ONG (Fernando por problemas de doença na família, William por alegados motivos pessoais, Denise MG por seu conhecido estado de saúde e Sérgio Pereira Couto por decidir dedicar-se com mais afinco á divulgação dos próprios trabalhos individuais). Assim as atividades recaíram especialmente sobre a última remanescente dos fundadores, Janaina Azevedo.

“Neste meio tempo me empenhei em fazer eventos de qualidade e tentar ajudar na difusão da literatura fantástica. Mas não sou escritora dessa área e, principalmente, lidar com um ‘fandom’ que sabe criticar muito mas faz pouco, é extremamente difícil, desgastante e maçante. A OPELF surgiu para incentivar a leitura, mas muitas vezes tentaram utilizá-la como objeto de manobra para beneficiar apenas carreiras individuais. E, como basicamente desde o começo, eu era o único rosto que aparecia, por ser crítica literária e professora, tentando fazer a literatura fantástica ampliar seus horizontes, mais do que simplesmente ter uma ONG que fizesse somente lançamentos de livros e eventinhos em livraria, o nome ficou muito associado a mim, e, posteriormente, ao meu marido, Horacio Corral. Este é o motivo pelo qual, como detentora da marca, prefiro extingüí-la a passá-la adiante, por que seria como passar meu nome e este é muito valioso.”

Durante sua existência a OPELF promoveu debates, mesas redondas, atuou em eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo, levou palestras e oficinas a escolas, incentivou outras artes além da literatura, como a Mostra de Cinema Fantástico de 2008, participou das duas Fantasticon e, mais que isso, ergueu-se como um nome forte em Produção Cultural especializada em literatura de gênero.

Novos caminhos em um Beco Imaginário

Agora, com o fim da OPELF, suas atividades serão incorporadas ao Beco Imaginário.

“O Beco é uma ótima iniciativa que não está restrita somente à literatura. É um espaço para arte, cultura, literatura, cinema, jogos… enfim, é espaço de diversidade. A diversidade que queríamos ter visto na OPELF.”

Janaina Azevedo afirma, ainda, que, embora vá continuar os trabalhos com literatura fantástica, pretende fazê-lo de maneira mais transdisciplinar, valendo-se de outras mídias e recursos, mas mantendo contatos com os profissionais que conheceu na área.

“Não posso negar que a OPELF foi uma grande experiência para mim. Por causa dela, pude conhecer melhor alguns grandes profissionais e cultivar amizades que, espero, durem a vida inteira. Nomes como Silvio Alexandre, Ana Cristina Rodrigues, Claudio Villa, Eduardo Santana, Rosana Rios, Martha Argel, Giulia Moon, Joaquim Modesto, Nelson Magrini, entre tantos outros fizeram com que, ao fim desta curta jornada eu tivesse mais coisas aprendidas do que ressentimentos ou arrependimentos do tempo em que trabalhei com a OPELF.”

Grandes Momentos

Alguns dos bons momentos da OPELF ficarão guardados na memória, como as Mesas-Redondas de debate sobre Literatura Fantásticas, promovidas pela OPELF em conjunto com a Livraria Cultura e o produtor que, por conta delas, mais tarde se tornaria esposo da Fundadora e, por sua competência e trabalho, o segundo dirigente da OPELF, outro que permaneceu até o fim das atividades da ONG. Duas figuras que, após a saída dos 4 outros fundadores, foram de suma-importância são Roberta Domingues (atriz & escritora) e Rodrigo Rocha (arquiteto e ilustrador)

Com Sílvio Alexandre, a OPELF promoveu o lançamento do “Livro dos Lobisomens”, pela Editora Aleph e participou das duas Fantasticon, com salas, projetos, e, principalmente, stands de livros que vendiam com desconto exemplares da literatura fantástica nacional.

Ainda, a OPELF participou de vários eventos na Casa das Rosas, como o halloween de 2008 e a 3ª Mostra Curta Fantástico, promovida pela FlyCow Produções, sob comando de Eduardo Santana e vivi Amaral.

Em 2008, também, numa parceria com o CLFC, a OPELF participou da Jedicon do Rio de Janeiro e de São Paulo, promovendo uma venda constante de livros de literatura fantástica em vários eventos de fã.

Despedida

A OPELF despede-se em outubro de 2009 do público que a acompanhou, deixando a tarefa e o legado que remetem a difundir a literatura fantástica, especialmente entre jovens e adolescentes com seus programas de incentivo à leitura, para o Beco Imaginário, que assume este privilégio e esta responsabilidade, mantendo um canal aberto de comunicação e, ainda, visando continuar a obra da OPELF, abarcando, também, outras áreas e iniciativas.

“Como uma boa amiga disse, semanas atrás, ao deixar um certo cargo: So long and thanks for all the Fish!”

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Beco Imaginário

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