Para o Beco Imaginário, por Rorschach

Para gostar de RPG – O Início

Palavra do Editor: É necessário dizer que este texto foi escrito por uma das pessoas mais ativas que já conheci do RPG nacional. Mais do que isso, uma das pessoas mais intligentes e de valores que já tive o prazer de ter como amigo e Mestre de Jogos. Rorschach é um pseudônimo de alguém que, em algum tempo revelará – ou não – o por quê de tanto mistério. Na juventude, compartilhávamos sonhos semelhantes. Hoje, ele é uma das pessoas que mais respeito. E ele mostra que jogar RPG não só desenvolve o raciocínio, a inteligência, a noção de sociedade e a consciência, como é um excelente exemplo de liberdade. Aliás, ele é uma das pessoas mais pensantes que já tive o prazer de conhecer também, o que me remete a uma frase do filme Watchmen que me lembra o quanto ele já me fez pensar:

“Nenhum de vocês parece entender: eu não estou preso aqui com vocês. Vocês é que estão trancados, aqui. COMIGO.”

Bem Vindo, AMIGO.

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O primeiro texto, acredito, de muitos outros, sobre Role Playing Games. Eis a árdua tarefa de iniciar uma série de artigos sobre um tema que apresenta um forte apelo pessoal para muitos, porém, é alvo de muito preconceito por pessoas que não tiveram um contato substancial com tal fenômeno cultural.

Sim, indiscutivelmente é muito mais do que um jogo, pois suplanta o nível de mero passatempo. E isso, por conta de sua principal exigência: a necessária interação com outras pessoas.

Ou seja, não é um atividade isolada, pois demanda um grupo; pessoas reunidas em meio a uma história em que é narrada de forma incompleta, vez que demanda justamente a interação dos demais participantes. Eis a gênese do RPG, que hoje se estende para as diversas áreas de entretenimento, como filmes de jogos eletrônicos.

Em outras palavras, é uma atividade que exige a colaboração de todos os presentes: do narrador da história aos participantes, que interpretam seus papéis, em meio a um enredo fantasioso.

Como dizia, aí reside a paixão que jogo provoca, pois num contexto em que há efetiva interação humana, os demais jogadores, logo se tornam amigos, e a história ganha vida e riqueza a cada nova sessão, a cada novo desafio. Logo, o RPG não gera apenas consequências nas poucas horas de jogo, mas sim na vida do jogador, que agora sabe o prazer proporcionado pela interação com outras pessoas, superando seus medos e preconceitos.

A meu ver, o RPG deveria ser uma atividade complementar à sala de aula, vez que na própria dinâmica do jogo reside uma efetiva terapia para que muitas crianças e adolescentes sejam mais criativos, bem como superem diversas sociopatias, dentre elas, o medo de falar em público.

Por outro lado, ao ser um jogo envolvente, o RPG também pode causar problemas, mas isso depende exclusivamente das pessoas que tomar parte no jogo. Eis uma fórmula para se compreender tal conclusão: jogadores ruins, jogo ruim; e, acredito, não se aplica somente ao RPG.

Em suma, como toda atividade essencialmente social, o RPG também causa paixões, sejam elas boas ou ruins, mas, sem dúvida, humanas.

Para os estranhos a tal universo, considerem-se bem vindos. Já, para os veteranos, espero provocar boas lembranças.

Até a próxima.

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